sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CASCAVIANDO OS BAÚS DO BRASIL (MAria Pastora das Neves)

Na ensolarada e radiante sexta-feira, dezenove de agosto de dois mil e onze, uma turma do curso de Teologia da Faculdade Evangélica de Brasília - FE, teve como ambiente de aula da disciplina "Cultura Brasileira", ministrada pelo professor  Roberto Loyola, duas galerias  de exposições do Museu Nacional. E, diga-se de passagem: a arquitetura do incomparável Niemayer, por si só, já é uma gigantesca obra de arte e vale a visita.
       Na sala do piso superior, a primeira visitada, havia uma exposição de arte contemporânea da qual  constavam várias esculturas  em madeira , de Hans Scheib e telas de Veit  Holfman, Helge Leiberg e outros, bastante interessantes. Mas o encanto da aula estava mesmo no piso infarior onde a turma deu uma grande "cascaviada" pelos, digamos assim, "antigos baús desse menino" chamado Brasil Examinando a exposição "TERRA BRASILIS", com peças históricas de um acervo pertencente ao Banco Itaú, todos se deleitaram.
       Percebia-se a admiração, o entusiasmo e a satisfação por estar ali, refletidos no brilho do olhar de cada aluno. Se alguém faltou a essa aula, perdeu uma festa.
       Cada pintura ou simples desenho de Debret revela uma beleza em especial da fauna  e da flora desse hoje, tão maltratado, chão brasileiro. Cenas engraçadas, como as dos nativos da terra, os errôneamente chamados índios, usando roupas européias. Coitados!...  Imagine-se o calor e desconforto que eles devem ter sofrido naqueles trajes!
       Muito interessante a evolução do traçado dos mapas feitos pelos cartógrafos que aqui estiveram em tempos longínquos. Cada peça desenhada parece guardar uma história. Livros gigantescos, uns abertos revelando uma caligrafia invejável, outros "guardados" por capas artísticamente desenhadas despertando um louco desejo de manuseá-los. Antigos romances de autores brasileiros que alguns dos presentes já leram, porém, em edições bem modernas. Mas vê-los assim envelhecidos, testemunhando a época em que foram escritos, desperta uma nova emoção.
       Telas com cenas domésticas de senhoras bordando rodeadas de escravos, uma delas, brincando com uma criancinha escrava, como se brinca com um cachorrinho. Uma bem interessante mostrando um nativo atirando deitado, prendendo o enorme arco com os pés. Cenas com tipos humanos bem característicos da época da colonização.
       Uma folha de jornal com o que se chama hoje, "classificados" com vários anúncios, entre os quais a perda de um vale no valor de alguns réis, fuga de um escravo "criôlo de côr preta", usando uma roupa de riscado surrada. Recibo de compra e venda de escravos, de impostos pagos pela posse deles, de apólice de seguro e comprovante de pagamento do seguro pela morte de uma escrava. E muito interessante é um exemplar do "Correio Braziliense" editado na Inglaterra. Daí o porquê do braziliense com "z".
       Para encerrar este pequeno relatório vale a observação: exposição histórica é apaixonante. Visita-se uma vez e já nasce o desejo de voltar.

                                                         Maria Pastora das Neves
                                                         4º semestre

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