Relatório de visita a exposição Coleção Brasiliana Itaú no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República no dia 19 de agosto de 2011.
Na manhã dessa sexta-feira foi proporcionada aos alunos do curso de Teologia da disciplina Cultura Brasileira a oportunidade de apreciar e admirar a referida exposição.
Num primeiro momento foram observadas diversas obras que fazem parte da coleção idealizada por Francisco Chagas, colecionador de arte, que durante sua estada de sete anos na antiga Berlim, trabalhando na embaixada brasileira, teve a oportunidade de conhecer diversos artistas, obtendo dos mesmos uma grande colaboração para que fosse possível expor essas obras ao povo brasileiro. O colecionador afirma que mesmo num ambiente tão hostil como o era aquele em que viviam aqueles artistas manteve-se o poder criador destes.
Apenas a titulo de exemplo seguem alguns deles e suas obras: Keit Hofmann utilizando papel japonês apresentou alguns quadros interessantes como, plantas; som das savanas; mundo dos tatus; dança; a mensagem; lua verde; a escada, dentre outros. Helge Leiberg por meio da tela em acrílico apresentou terra a vista; horizontes, corredores na savana. Um dos quadros chamado sísifo chamou a atenção, pois aparentava ser um homem bem suado visto que fazia muito esforço para segurar um arco com as costas o qual se encontrava numa ladeira e dentro do arco havia uma pessoa. Hans Scheib apresentando algumas estatuetas em madeira como a “moça complicada” que tinha um cabelo sobre uma das face do rosto, mais se parecendo um “emo” e a poetisa que estava sentada pensando.
Num segundo momento, o grupo foi dirigido a outro ambiente do museu, onde se pode tomar conhecimento que o príncipe Mauricio de Nassau, responsável pelo governo das províncias holandesas no Brasil, compreendeu que sua expedição seria uma enorme oportunidade cultural e que por isso levou com ele cientistas e artistas para que fosse documentado tudo de novo que sua estada no nordeste permitisse descobrir.
Foi possível apreciar um belíssimo brasão de armas de ferro fundido pertencente ao Conde Maurício de Nassau, o qual foi utilizado para proteger uma lareira de seu palácio. Informa-se que essa foi uma das poucas peças que sobreviveu ao incêndio da casa em 1704 tendo sido encontrado na Europa em 1960.
Em momento posterior adentrou-se no espaço Brasil dos naturalistas que narra que da partida da Holanda até a chegada de D. João VI ao Rio de Janeiro, o Brasil ficou fechado a qualquer estrangeiro por determinação do governo português. Isso gerou uma enorme curiosidade entre os sábios e estudantes europeus. Com a abertura dos portos em 1808 ocorreu uma enxurrada de naturalistas para estudar a fauna e flora brasileira.
Neste espaço foi possível contemplar a obra “Viagem pitoresca e histórica do Brasil (1835) de Jean-Baptiste Debret, um desenhista etnólogo, que consegue captar de forma minuciosa sua perspectiva da natureza, sendo sua percepção nos detalhes algo impressionante. A impressionante obra composta em tinta e aquarela sobre papel do importante naturalista Carl Friedrich Philipp Von Martius mostra a visão romântica de um índio caçando na floresta. Na bela imagem chamou atenção a presença de muitos animais e uma vegetação espessa, totalmente díspar de nossa realidade atual. Lindo mesmo foi apreciar o quadro de Conde de Clarac chamado “Floresta virgem do Brasil” (1822) que é o primeiro retrato fiel da floresta virgem do Brasil que aplacou a imensa curiosidade reprimida das Europa.
Viajando mais um pouco se chegou ao Brasil dos viajantes estando presente os álbuns do francês Jean-Baptiste Debret e do alemão Rugendas editados em Paris entre 1834 e 1835. Armand Jullien Palliére proporcionou que se admirasse o panorama da cidade de São Paulo, obra encomendada por D. Pedro I, a qual pertenceu à família imperial até 1889.
Algo que chamou atenção nesse espaço foi uma pintura em óleo sobre tela de Palliére pintada no Brasil de seu tempo em meados do século XIX, a qual mostra de forma simples uma encantadora cena doméstica, qual seja, seu filho tomando banho na entrada da residência do avô que é a famosa casa de Grandjean que existe no Rio de Janeiro, no bairro da Gávea. Na obra aparecem alguns escravos domésticos bem vestidos e aparentemente bem tratados.
Uma outra pintura em óleo sobre tela que atraiu o olhar foi a de Samuel Walters que retrata de forma extremamente real o heróico resgate de passageiros do navio americano Ocean Monard pela fragata brasileira a vapor Afonso. O detalhe curioso é que essa é a única pintura a óleo com tema ligado ao Brasil assinada por esse artista.
Por fim, chega-se à bela cidade do Rio de Janeiro, capital real e imperial, cidade que era parada obrigatória para todos os artistas viajantes que passaram pelo Brasil ao longo do século XIX, sendo uma das cidades mais retratadas do mundo entre 1810 e 1850. Nesta ala do museu havia preciosidades como a 1ª Edição do Correio Brasiliense, que foi o jornal brasileiro mais conhecido e o que mais influenciou no século XIX, sendo o pioneiro em vários aspectos e também o primeiro período em português, tendo sido impresso em Londres por mais de 15 anos e a obra O Guarany, etc.
Novamente surge Debret numa pintura em óleo sobre tela retratando o casamento de D. Pedro I e D. Amélia. Tomou-se conhecimento que são poucas as pinturas a óleo conhecidas deste renomado autor em torno de temas brasileiros.
Por fim, em meio a tantas curiosidades, deparei-me com um anúncio de um escravo fugitivo e de como eram fascinantes os anúncios relativos à fuga de escravos publicados aquela época. Informa-se que ao longo de quase oito décadas de Império, esses anúncios preencheram inúmeras colunas dos jornais.
Esse é um típico anúncio que, hoje, seguramente, seria alvo de inúmeras ações judiciais envolvendo questões de racismo e injúria qualificada. Apesar de vivenciarmos hoje um racismo velado, inclusive dentro de nossas igrejas, é possível vislumbrar que nossa mentalidade retrógrada em muito evoluiu tendo como parâmetro esses anúncios que são uma verdadeira agressão a dignidade humana. Devemos louvar a Deus por termos uma Constituição que, apesar de ser uma grande colcha de retalhos, em razão de tantas emendas, é a norma suprema de nosso País que tem imprimido valores essenciais ao restabelecimento de toda e qualquer forma de injustiça e discriminação contra o ser humano. Prova disso é que estampado já no seu artigo 1º vislumbra-se como fundamento à dignidade da pessoa humana e como objetivo fundamental da República (art. 2º) a construção de uma sociedade livre, justa e igualitária e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça e qualquer outra forma discriminatória.
Walkiria Ozório Corrêa
Aluna Teologia
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